# Quais são os protocolos mais comuns para imortalizar células-tronco mesenquimais e como isso se aplica à medicina regenerativa?

> A revisão sistemática identificou que a transfecção viral é a metodologia mais usada para imortalizar células-tronco mesenquimais, com hTERT em células humanas e SV40T em animais. Células da medula óssea são as mais frequentemente imortalizadas. Menos da metade dos estudos realizou ensaios de tumorigenicidade, mas outros testes de validação foram comuns.

Estudo citado: Stricker PEF, de Oliveira NB, Mogharbel BF, Lührs L, Irioda AC, Abdelwahid E et al.. Meta-analysis of the Mesenchymal Stem Cells Immortalization Protocols: A Guideline for Regenerative Medicine. Current stem cell research & therapy. 2024. DOI: https://doi.org/10.2174/011574888X268464231016070900. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38221663/

## Resposta

A imortalização de células-tronco mesenquimais (CTMs) é uma estratégia relevante para a medicina regenerativa, pois permite obter linhagens celulares com capacidade de expansão prolongada. Esta revisão sistemática, conduzida segundo as diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO, buscou sumarizar as metodologias mais empregadas para imortalizar CTMs humanas e animais.

Foram incluídos trinta e nove artigos publicados entre 2000 e 2022, identificados em SCOPUS, PUBMED e SCIENCE DIRECT. Desses, vinte e oito estudos utilizaram CTMs humanas e onze, CTMs animais. A metodologia de imortalização mais frequente foi a transfecção viral. O tipo celular mais comumente imortalizado foi a CTM derivada da medula óssea.

Em relação aos genes utilizados, o hTERT foi o mais empregado para CTMs humanas (39,3%), enquanto o SV40T foi o mais usado para CTMs animais (54,5%). Esses dados orientam a escolha do protocolo conforme a espécie de origem das células.

A validação das linhagens imortalizadas variou: menos da metade dos estudos realizou ensaios de tumorigenicidade, mas a maioria conduziu outros testes, como qRT-PCR, formação de colônias em ágar mole, cariotipagem, FISH e proliferação celular, em diferentes passagens. O resumo não detalha a frequência desses ensaios por estudo.

Para o médico que atua com terapia celular, esses achados oferecem um panorama das práticas de imortalização, mas não estabelecem superioridade de um protocolo sobre outro. A aplicação clínica ainda requer validação adicional, especialmente quanto à segurança.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com busca em SCOPUS, PUBMED e SCIENCE DIRECT, período de 2000 a 2022, que identificou 384 artigos e incluiu trinta e nove após triagem. Desses, vinte e oito usaram CTMs humanas e onze, animais. A transfecção viral foi a metodologia mais comum; CTMs de medula óssea foram as mais imortalizadas; hTERT foi o gene mais usado em humanos (39,3%) e SV40T em animais (54,5%). Menos da metade dos estudos fez ensaios de tumorigenicidade, mas outros testes (qRT-PCR, ágar mole, cariotipagem, FISH, proliferação) foram realizados na maioria.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre heterogeneidade entre os protocolos. Também não especifica quantos estudos realizaram cada ensaio de validação, nem as limitações das próprias linhagens imortalizadas. A ausência de meta-análise estatística dos dados impede conclusões quantitativas sobre eficácia ou segurança.

## Aplicação no consultório

Para o médico que pesquisa ou utiliza CTMs, a revisão orienta sobre os protocolos de imortalização mais frequentes, auxiliando na escolha de linhagens para estudos pré-clínicos. No consultório, não há aplicação direta imediata, mas o conhecimento pode informar decisões sobre parcerias em pesquisa e desenvolvimento de terapias celulares. A ausência de ensaios de tumorigenicidade em parte dos estudos reforça a necessidade de cautela na translação clínica.

## Perguntas para aprofundar

- Qual a importância de realizar ensaios de tumorigenicidade em células-tronco mesenquimais imortalizadas?
- Como a escolha do gene imortalizante (hTERT vs SV40T) pode influenciar o comportamento celular?
- Quais os desafios regulatórios para o uso de linhagens imortalizadas em terapia celular no Brasil?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/quais-sao-os-protocolos-mais-comuns-para-imortalizar-celulas-tronco/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
