Quais marcadores de superfície celular podem ser usados para identificar células-tronco derivadas do tecido adiposo (ASCs) na prática clínica e na pesquisa?
Resposta curta: Uma revisão sistemática recomenda um painel mínimo para identificar ASCs: marcadores positivos CD90, CD44, CD29, CD105, CD13, CD34, CD73, CD166, CD10, CD49e e CD59; negativos CD31, CD45, CD14, CD11b, CD19, CD56 e CD146; além de HLA-ABC e STRO-1 positivos e HLA-DR negativo. Contudo, há divergências sobre CD31, CD34, c-Kit e STRO-1.
Resposta
A caracterização das células-tronco derivadas do tecido adiposo (ASCs) é fundamental para garantir a identidade das células em pesquisas e aplicações clínicas. Uma revisão sistemática da literatura analisou os marcadores de superfície celular mais frequentemente relatados para essas células, com o objetivo de propor um painel mínimo que permita identificá-las de forma consistente in vitro e in vivo.
Os resultados mostraram que os marcadores positivos mais comuns foram CD90, CD44, CD29, CD105, CD13, CD34, CD73, CD166, CD10, CD49e e CD59. Já os marcadores negativos mais encontrados foram CD31, CD45, CD14, CD11b, CD34, CD19, CD56 e CD146. Além disso, a expressão positiva de HLA-ABC e STRO-1 e a negativa de HLA-DR também foram observadas.
Com base nesses achados, os autores concluíram que um painel mínimo pode ser recomendado para a identificação de ASCs. Esse painel inclui os marcadores positivos CD90, CD44, CD29, CD105, CD13, CD34, CD73, CD166, CD10, CD49e e CD59, e os negativos CD31, CD45, CD14, CD11b, CD19, CD56 e CD146, além de HLA-ABC e STRO-1 positivos e HLA-DR negativo.
No entanto, a revisão também identificou divergências na literatura quanto à expressão e existência de alguns marcadores, especialmente CD31, CD34, c-Kit (CD117) e STRO-1. Isso indica que a caracterização das ASCs ainda não é totalmente uniforme, o que pode impactar a comparabilidade entre estudos e a padronização de protocolos.
Para o médico que atua em pesquisa ou em terapias celulares, conhecer esse painel mínimo pode auxiliar na padronização da caracterização das ASCs, seja para controle de qualidade em laboratório, seja para interpretação de resultados de estudos. A aplicação clínica ainda requer validação adicional, mas a proposta de um conjunto comum de marcadores representa um avanço para a área.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática que buscou na literatura os marcadores de superfície celular das ASCs. As buscas foram realizadas em diversas bases de dados (Medline, PubMed, ZETOC, Web of Knowledge, AMED, EMBASE, Ovid e PsychINFO) com os termos 'adipose-derived stem cells; stromal cells; surface markers'. Os marcadores positivos mais relatados foram CD90, CD44, CD29, CD105, CD13, CD34, CD73, CD166, CD10, CD49e e CD59; os negativos mais comuns foram CD31, CD45, CD14, CD11b, CD34, CD19, CD56 e CD146. Outros marcadores também apareceram, como HLA-ABC, HLA-DR, SH2, SH3, STRO-1, VEGF2, vWF, ABCG2, SSEA-1 (CD15), PDGFR, alfa-SMA, c-Kit (CD117), OCT4+ e CCR5X (CD195).
Limitações
O resumo não informa o número de estudos incluídos, a qualidade metodológica dos mesmos ou as fontes de heterogeneidade. Também não detalha critérios de inclusão/exclusão ou análise de viés. Além disso, a própria revisão aponta divergências na literatura sobre a expressão de alguns marcadores (CD31, CD34, c-Kit e STRO-1), o que limita a uniformidade das recomendações.
Aplicação no consultório
Para o médico que trabalha com pesquisa ou terapias celulares, o painel mínimo proposto pode ser útil para padronizar a caracterização das ASCs em laboratório, seja para controle de qualidade de cultivos, seja para comparação entre estudos. No consultório, isso se traduz em maior rigor na seleção e validação de produtos celulares e na interpretação crítica de laudos de caracterização. A gestão do consultório pode se beneficiar da incorporação desses marcadores em protocolos internos, desde que haja estrutura laboratorial adequada e conhecimento das limitações apontadas.
Estudo citado
Cell Surface Markers on Adipose-Derived Stem Cells: A Systematic Review. Current stem cell research & therapy, 2017.
Autores: Mildmay-White A, Khan W.
DOI: 10.2174/1574888X11666160429122133 · PubMed: PMID 27133085
Perguntas para aprofundar
- Quais são os marcadores positivos e negativos mais consistentes para identificar ASCs?
- Por que ainda há divergências sobre a expressão de CD34 e CD31 em ASCs?
- Como aplicar o painel mínimo de marcadores na padronização de cultivos de ASCs?
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