# O transplante de células-tronco mesenquimais melhora a incapacidade na esclerose múltipla progressiva?

> A metanálise de ensaios clínicos randomizados não mostrou benefício significativo do transplante de células-tronco mesenquimais na pontuação EDSS em pacientes com esclerose múltipla progressiva, mas a intervenção parece segura, sem aumento de eventos adversos. A certeza da evidência é baixa a moderada, limitando conclusões definitivas.

Estudo citado: Guo H, Zeng L, Sun L. Efficacy and safety of mesenchymal stem cell transplantation for progressive multiple sclerosis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials with clinical implications for patient stratification and treatment optimization. Frontiers in immunology. 2026. DOI: https://doi.org/10.3389/fimmu.2026.1861624. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42558431/

## Resposta

A esclerose múltipla progressiva (EMP) é uma doença desmielinizante incapacitante com opções terapêuticas muito limitadas. O transplante de células-tronco mesenquimais (CTM) tem sido estudado por suas propriedades imunomoduladoras e neurotróficas, mas os resultados de ensaios clínicos são inconsistentes. Esta revisão sistemática e metanálise avaliou exclusivamente ensaios clínicos randomizados (ECRs) para determinar a eficácia e segurança do procedimento em pacientes com EMP.

Foram incluídos três ECRs, totalizando 143 pacientes (75 no grupo CTM e 68 no controle). A análise principal não demonstrou melhora significativa na Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS) com a terapia celular (diferença média agrupada = -0,08; IC 95% -0,38 a 0,22; P = 0,61; I² = 66%). Em relação à segurança, não houve aumento de eventos adversos emergentes do tratamento (RR = 1,08; IC 95% 0,86 a 1,35; P = 0,52) nem de eventos adversos graves (RR = 0,79; IC 95% 0,26 a 2,36; P = 0,67).

A certeza da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE: moderada para eventos adversos emergentes do tratamento, muito baixa para a mudança na EDSS e muito baixa para eventos adversos graves. Esses achados indicam que, embora o perfil de segurança seja favorável, não há suporte para benefício clínico significativo na população não selecionada de pacientes com EMP.

Os autores concluem que o transplante de CTM parece seguro, mas não melhora a incapacidade medida pela EDSS em pacientes não estratificados. A heterogeneidade entre os estudos (I² = 66%) e o pequeno número de participantes limitam a generalização. Novos ECRs de alta qualidade são necessários, especialmente com estratificação de pacientes, para identificar subgrupos que possam se beneficiar.

Para o médico, os resultados reforçam que a terapia celular não deve ser oferecida como tratamento de rotina para EMP fora do contexto de pesquisa. A segurança observada pode orientar discussões sobre ensaios clínicos, mas a ausência de benefício funcional em desfechos validados impede sua incorporação na prática clínica atual.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados que compararam transplante de células-tronco mesenquimais com placebo em adultos com esclerose múltipla progressiva. Foram incluídos três ECRs (143 pacientes; 75 no grupo CTM e 68 no controle). O desfecho primário foi a mudança na EDSS, que não mostrou diferença significativa (MD = -0,08; IC 95% -0,38 a 0,22; P = 0,61; I² = 66%). Não houve aumento de eventos adversos emergentes do tratamento (RR = 1,08; IC 95% 0,86 a 1,35) nem de eventos adversos graves (RR = 0,79; IC 95% 0,26 a 2,36). A certeza da evidência foi moderada para eventos adversos emergentes e muito baixa para EDSS e eventos graves.

## Limitações

O resumo não informa as limitações individuais dos ensaios incluídos. O pequeno número de ECRs (três) e de participantes (143) limita o poder estatístico e a generalização. A heterogeneidade entre os estudos foi substancial (I² = 66% para EDSS). A certeza da evidência é muito baixa para o desfecho primário, impedindo conclusões robustas. O resumo não detalha características dos pacientes, protocolos de transplante ou tempo de seguimento.

## Aplicação no consultório

Os achados não apoiam a indicação rotineira de transplante de CTM para pacientes com esclerose múltipla progressiva na prática clínica. O médico deve discutir com o paciente que a evidência atual não demonstra benefício funcional e que a intervenção permanece experimental. Em termos de gestão do consultório, é importante orientar sobre a ausência de respaldo para oferecer o procedimento fora de pesquisa e considerar encaminhamento para ensaios clínicos quando disponíveis. A segurança relatada pode ser um ponto de discussão, mas não justifica uso compassivo sem benefício comprovado.

## Perguntas para aprofundar

- Quais subgrupos de pacientes com esclerose múltipla progressiva podem se beneficiar do transplante de células-tronco mesenquimais?
- Como estratificar pacientes com esclerose múltipla progressiva para ensaios clínicos com terapia celular?
- Quais são os desfechos mais adequados para avaliar terapias celulares na esclerose múltipla progressiva?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/o-transplante-de-celulas-tronco-mesenquimais-melhora-a-incapacidade-na/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
