# A terapia com células-tronco mesenquimais melhora a xerostomia induzida por radiação em pacientes oncológicos?

> A metanálise em rede mostrou aumento estatisticamente significativo, porém clinicamente negligenciável, no fluxo salivar não estimulado com células-tronco mesenquimais. Não houve diferença significativa no fluxo estimulado, nos escores do Xerostomia Questionnaire ou na incidência de eventos adversos graves. A evidência atual não suporta superioridade sobre o manejo convencional.

Estudo citado: Li SS, Tian XD, Song JK, Wu YD, Wang WL, Tang ZL. Mesenchymal stem cell therapy for radiation-induced xerostomia: a systematic review and network meta-analysis. Stem cell research & therapy. 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s13287-025-04824-2. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41390814/

## Resposta

A xerostomia induzida por radiação é uma complicação frequente e debilitante do tratamento radioterápico de tumores de cabeça e pescoço. Estudos pré-clínicos sugerem que as células-tronco mesenquimais (MSCs) podem proteger e regenerar as glândulas salivares, mas a evidência clínica ainda é fragmentada. Esta revisão sistemática com metanálise em rede avaliou a segurança e a eficácia da terapia com MSCs em pacientes com xerostomia induzida por radiação.

Foram incluídos sete ensaios clínicos, totalizando 360 participantes. A metanálise mostrou um aumento estatisticamente significativo, mas clinicamente negligenciável, no fluxo salivar não estimulado (UWS) com MSCs em comparação aos controles (diferença média ponderada de 0,02 mL/min; IC 95%: 0,00 a 0,03; p = 0,04). Não houve diferenças significativas no fluxo salivar estimulado (SWS) ou nos escores do Xerostomia Questionnaire (XQ). O risco de eventos adversos graves (SAE) não diferiu significativamente entre os grupos (OR = 1,96; IC 95%: 1,00–3,84; p = 0,05).

A heterogeneidade entre os estudos foi substancial (I² > 90%). A metanálise em rede exploratória sugeriu que as MSCs derivadas da medula óssea (BMMSC) podem superar as derivadas do tecido adiposo (ADMSC), mas esse achado é gerador de hipóteses, pois se baseia em um único estudo com BMMSC. Os resultados não demonstram superioridade da terapia com MSCs sobre o manejo convencional da xerostomia induzida por radiação.

Os autores concluem que o transplante de MSCs resulta em melhora estatisticamente significativa, porém marginal, do fluxo salivar não estimulado, sem aumento significativo de eventos adversos graves. A evidência atual não apoia a superioridade da terapia com MSCs sobre o manejo convencional. Ensaios clínicos de grande escala são necessários para determinar se estratégias otimizadas com MSCs podem alcançar benefícios clinicamente significativos.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com metanálise em rede de sete ensaios clínicos (n = 360 participantes) que avaliou terapia com células-tronco mesenquimais para xerostomia induzida por radiação. O desfecho primário foi o fluxo salivar não estimulado (UWS). Houve aumento estatisticamente significativo, mas clinicamente negligenciável, no UWS (WMD = 0,02 mL/min; IC 95%: 0,00 a 0,03; p = 0,04). Não houve diferenças significativas no fluxo salivar estimulado (SWS) ou nos escores do Xerostomia Questionnaire. O risco de eventos adversos graves não diferiu significativamente entre os grupos (OR = 1,96; IC 95%: 1,00–3,84; p = 0,05). Heterogeneidade substancial foi observada (I² > 90%).

## Limitações

O resumo não informa o desenho individual dos estudos incluídos, nem detalhes sobre as populações ou os protocolos de administração das MSCs. A heterogeneidade foi substancial (I² > 90%), o que limita a interpretação dos resultados agrupados. O achado de superioridade das BMMSC sobre as ADMSC é gerador de hipóteses, baseado em um único estudo com BMMSC. O resumo não informa análise de viés de publicação além do teste de Egger, nem o tempo de seguimento.

## Aplicação no consultório

Os resultados não sustentam a incorporação rotineira da terapia com MSCs na prática clínica para xerostomia induzida por radiação, dado o benefício clínico marginal e a ausência de superioridade sobre o manejo convencional. O médico deve manter as estratégias convencionais de manejo da xerostomia. A terapia com MSCs pode ser considerada em contexto de pesquisa clínica, com discussão transparente sobre a incerteza dos benefícios. A ausência de aumento significativo de eventos adversos graves é um dado tranquilizador, mas a decisão compartilhada deve ponderar custos e a necessidade de ensaios maiores.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o efeito da terapia com células-tronco mesenquimais no fluxo salivar estimulado em pacientes com xerostomia induzida por radiação?
- A terapia com células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea é superior à derivada do tecido adiposo para xerostomia induzida por radiação?
- Quais são os eventos adversos graves associados à terapia com células-tronco mesenquimais em pacientes com xerostomia induzida por radiação?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/a-terapia-com-celulas-tronco-mesenquimais-melhora-a-xerostomia-induzida-por/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
