# A terapia com células-tronco mesenquimais melhora a função renal na nefropatia diabética e na nefrite lúpica ou nefropatia proteinúrica?

> Em revisão sistemática com metanálise, a terapia com células-tronco mesenquimais melhorou a taxa de filtração glomerular estimada em ensaios randomizados de doença renal diabética, com diferença média de 4,62 mL/min/1,73 m², sem aumento significativo de eventos adversos graves. Na nefrite lúpica, a evidência permanece limitada a um pequeno ensaio randomizado e estudos de braço único.

Estudo citado: Guo J, Ma H, Xu Y, Chen Z, Tang Y, Li J. A systematic review and meta-analysis of mesenchymal stem cell therapy in diabetic nephropathy and lupus nephritis or proteinuric nephropathy. BMC nephrology. 2026. DOI: https://doi.org/10.1186/s12882-026-04859-4. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41877062/

## Resposta

A revisão sistemática com metanálise reuniu evidências sobre o uso de células-tronco mesenquimais em nefropatia diabética e nefrite lúpica ou nefropatia proteinúrica, condições em que as terapias atuais costumam retardar a progressão, mas raramente revertem o dano renal estabelecido. A terapia com células-tronco mesenquimais foi avaliada como abordagem regenerativa e imunomoduladora.

Foram incluídos seis estudos, totalizando 104 participantes: dois ensaios randomizados em doença renal diabética, um ensaio randomizado em nefrite lúpica e três estudos de braço único. Apenas os ensaios randomizados entraram na síntese quantitativa; os demais foram descritos separadamente por sua heterogeneidade clínica e metodológica.

Na análise agrupada dos ensaios randomizados, o tratamento com células-tronco mesenquimais melhorou significativamente a taxa de filtração glomerular estimada em comparação ao placebo, com diferença média de 4,62 mL/min/1,73 m² (intervalo de confiança de 95% de 1,31 a 7,94) e heterogeneidade entre estudos de 27,20%. Nos ensaios randomizados de doença renal diabética, não houve aumento significativo de eventos adversos graves, com risco relativo agrupado de 1,97 (intervalo de confiança de 95% de 0,65 a 5,94) e heterogeneidade de 0%.

Os autores concluem que há um sinal consistente de benefício para a função renal nos ensaios randomizados de doença renal diabética, com melhora modesta da taxa de filtração glomerular estimada e heterogeneidade muito baixa entre estudos. Na nefrite lúpica, a evidência permanece limitada a um pequeno ensaio randomizado e a estudos de braço único, e a notificação de segurança foi heterogênea entre os estudos.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com metanálise que buscou estudos até novembro de 2024 em PubMed, Cochrane Library e EMBASE, incluindo pacientes com nefropatia diabética, nefrite lúpica ou nefropatia proteinúrica submetidos a terapia com células-tronco mesenquimais. Seis estudos (n = 104) foram incluídos: dois ensaios randomizados em doença renal diabética, um em nefrite lúpica e três de braço único. Apenas os randomizados entraram na síntese quantitativa. A terapia melhorou a taxa de filtração glomerular estimada versus placebo (diferença média de 4,62 mL/min/1,73 m²; intervalo de confiança de 95% de 1,31 a 7,94; heterogeneidade de 27,20%), sem aumento significativo de eventos adversos graves nos ensaios de doença renal diabética (risco relativo de 1,97; intervalo de confiança de 95% de 0,65 a 5,94; heterogeneidade de 0%).

## Limitações

O resumo não informa o tamanho amostral por estudo nem o tempo de seguimento. O número total de participantes é pequeno (n = 104), e a evidência em nefrite lúpica baseia-se em apenas um pequeno ensaio randomizado e em estudos de braço único, que foram descritos separadamente por heterogeneidade clínica e metodológica. A notificação de segurança foi heterogênea, e os dados de incidência dos estudos de braço único foram resumidos apenas qualitativamente, o que limita conclusões sobre tolerabilidade em populações específicas.

## Aplicação no consultório

Para a prática clínica, os achados apoiam a discussão da terapia com células-tronco mesenquimais como abordagem em investigação na doença renal diabética, com melhora modesta da taxa de filtração glomerular estimada e sinal de segurança quanto a eventos adversos graves nos ensaios randomizados. Na nefrite lúpica, a base de evidência é frágil e não permite indicação rotineira. Na gestão do consultório, cabe ao médico acompanhar a evolução da função renal com marcadores padronizados, discutir com o paciente o caráter experimental da intervenção e considerar a inclusão em protocolos de pesquisa, sem substituir o tratamento estabelecido.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é o efeito da terapia com células-tronco mesenquimais sobre a taxa de filtração glomerular estimada em pacientes com doença renal diabética?
- A terapia com células-tronco mesenquimais aumenta o risco de eventos adversos graves em pacientes com doença renal diabética?
- Quais são as limitações da evidência sobre células-tronco mesenquimais na nefrite lúpica?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/a-terapia-com-celulas-tronco-mesenquimais-melhora-a-funcao-renal-na-nefropatia/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
