A terapia com células-tronco mesenquimais melhora a função hepática em pacientes com doença hepática?
Resposta curta: Sim, segundo meta-análise de 23 estudos controlados, a terapia com células-tronco mesenquimais melhora a função hepática em até 6 meses, com destaque para via intra-arterial hepática, dose única e células derivadas da medula óssea. No entanto, a heterogeneidade é considerável e a eficácia em longo prazo ainda não está estabelecida.
Resposta
A doença hepática é uma importante causa de morte e incapacidade, e as células-tronco mesenquimais (MSCs) surgem como uma promessa terapêutica. No entanto, a superioridade em relação ao tratamento convencional, bem como a fonte ideal, a frequência de administração e a via de infusão mais eficaz, ainda não estavam claras. Para responder a essas questões, foi realizada uma revisão sistemática com meta-análise, publicada em 2018, que avaliou a eficácia terapêutica das MSCs em pacientes com doença hepática e os fatores associados.
Os autores buscaram estudos nas bases Medline (PubMed), Cochrane Library, EMBASE, ClinicalTrials.gov e SinoMed CBM até junho de 2017. Foram selecionados estudos entre publicações. A meta-análise incluiu 23 estudos controlados e comparou a terapia com MSCs ao tratamento convencional. Os desfechos avaliados incluíram o escore do modelo de doença hepática terminal (MELD), albumina, alanina aminotransferase (ALT), bilirrubina total, tempo de protrombina, atividade de protrombina, razão normalizada internacional (INR) e colinesterase.
Os resultados mostraram que, em comparação ao tratamento convencional, a terapia com MSCs melhorou significativamente a função hepática em termos de escore MELD, albumina, ALT, bilirrubina total e tempo de protrombina, até 6 meses após a administração. No entanto, não houve efeito benéfico sobre a atividade de protrombina, INR ou níveis de colinesterase. Análises de subgrupo indicaram que uma única injeção de MSCs foi mais eficaz do que múltiplas injeções, a administração pela artéria hepática foi mais eficaz do que pela veia periférica, e MSCs derivadas da medula óssea foram mais eficazes do que aquelas derivadas do cordão umbilical.
Os autores concluíram que a terapia com MSCs é relativamente segura e melhora a função hepática durante os primeiros 6 meses após a administração. A via intra-arterial hepática, a administração única e as MSCs de medula óssea foram consideradas ótimas para melhorar a função hepática. Contudo, a heterogeneidade significativa entre os estudos e os resultados descontínuos da meta-análise de subgrupo devem ser considerados, e a eficácia em longo prazo ainda requer investigação adicional.
Para o médico que atua no cuidado de pacientes com doença hepática, esses achados oferecem informações relevantes sobre a potencial aplicação da terapia celular, mas também ressaltam a necessidade de cautela na interpretação dos resultados devido às limitações metodológicas. A incorporação dessa terapia na prática clínica ainda depende de estudos adicionais que confirmem esses achados e esclareçam questões como durabilidade do efeito e segurança em longo prazo.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise que selecionou estudos de publicações. A meta-análise de 23 estudos controlados mostrou que a terapia com MSCs, comparada ao tratamento convencional, melhora significativamente a função hepática em termos de escore MELD, albumina, ALT, bilirrubina total e tempo de protrombina, até 6 meses após a administração. Não houve efeito benéfico sobre atividade de protrombina, INR ou colinesterase. Análises de subgrupo favoreceram injeção única, via artéria hepática e MSCs de medula óssea.
Limitações
O resumo não informa o número total de pacientes incluídos nem as características individuais dos estudos. A heterogeneidade considerável entre os estudos em vários momentos e os resultados descontínuos da meta-análise de subgrupo limitam a robustez das conclusões. Além disso, a eficácia em longo prazo não foi avaliada, e o resumo não detalha possíveis vieses de publicação ou qualidade metodológica dos estudos incluídos.
Aplicação no consultório
Os achados podem auxiliar o médico na discussão com pacientes sobre opções terapêuticas experimentais, mas não devem ser incorporados como prática padrão sem evidências mais robustas. No consultório, é importante considerar a heterogeneidade dos estudos e a necessidade de selecionar criteriosamente possíveis candidatos a terapias celulares, preferencialmente em contexto de pesquisa clínica. A gestão do consultório pode incluir o acompanhamento de desfechos hepáticos em pacientes submetidos a essas terapias, quando aplicável, e a atualização sobre novas evidências.
Estudo citado
A pooled analysis of mesenchymal stem cell-based therapy for liver disease. Stem cell research & therapy, 2018.
Autores: Zhao L, Chen S, Shi X, Cao H, Li L.
DOI: 10.1186/s13287-018-0816-2 · PubMed: PMID 29562935
Perguntas para aprofundar
- Qual a via de administração mais eficaz para terapia com células-tronco mesenquimais em doenças hepáticas?
- A terapia com células-tronco mesenquimais é segura em pacientes com doença hepática?
- Quais os efeitos em longo prazo da terapia com células-tronco mesenquimais na função hepática?
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