A terapia com células-tronco é segura e eficaz no tratamento da COVID-19?
Resposta curta: Uma revisão guarda-chuva de 24 revisões sistemáticas sugere que a terapia com células-tronco, principalmente mesenquimais, associa-se a menor mortalidade (RR 0,72), estadia hospitalar mais curta (diferença média de -4,00 dias) e menor necessidade de ventilação invasiva (RR 0,521). Eventos adversos não aumentaram significativamente. A certeza da evidência varia de baixa a moderada.
Resposta
A COVID-19 impôs desafios importantes aos sistemas de saúde, e a busca por terapias adjuvantes eficazes permanece relevante. A terapia com células-tronco, em especial as mesenquimais, tem sido estudada por suas propriedades imunomoduladoras e regenerativas. Esta revisão guarda-chuva sintetizou evidências de revisões sistemáticas sobre segurança e eficácia dessa modalidade no tratamento da COVID-19.
Foram incluídas 24 revisões sistemáticas, e os resultados agrupados em meta-análise mostraram associação entre terapia celular e redução da mortalidade, encurtamento do tempo de internação e menor necessidade de ventilação invasiva. Também se observou tendência de melhora na remissão de sintomas e redução dos níveis de proteína C reativa, embora com alta heterogeneidade para este último desfecho.
Quanto à segurança, não houve diferença significativa na ocorrência de eventos adversos entre os grupos tratados com células-tronco e o cuidado padrão. A certeza da evidência foi classificada como baixa a moderada, o que limita conclusões definitivas e reforça a necessidade de ensaios clínicos randomizados de grande escala para confirmar a eficácia e otimizar protocolos terapêuticos.
Para o médico, esses achados indicam um possível papel adjuvante da terapia celular em pacientes com COVID-19, especialmente aqueles com maior risco de desfechos desfavoráveis. No entanto, a heterogeneidade e a certeza limitada da evidência exigem cautela na incorporação dessa estratégia na prática clínica diária, priorizando protocolos bem estabelecidos e a participação em estudos clínicos quando disponíveis.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão guarda-chuva que incluiu 24 revisões sistemáticas, com busca em Embase, PubMed, Cochrane e Web of Science, de dezembro de 2019 a fevereiro de 2024. A terapia com células-tronco associou-se a redução da mortalidade (RR 0,72; IC 95% 0,60-0,86), menor tempo de internação (diferença média -4,00 dias; IC 95% -4,68 a -3,32) e menor necessidade de ventilação invasiva (RR 0,521; IC 95% 0,320-0,847). A remissão de sintomas melhorou (RR 1,151; IC 95% 0,998-1,330) e houve redução da proteína C reativa (diferença média padronizada -1,198; IC 95% -2,591 a 0,195), com alta heterogeneidade. Eventos adversos não diferiram significativamente (RR 0,87; IC 95% 0,607-1,265). A certeza da evidência variou de baixa a moderada.
Limitações
O resumo não informa o número total de pacientes incluídos, os tipos específicos de células-tronco utilizados, as doses ou os esquemas de administração. A certeza da evidência foi baixa a moderada, e a alta heterogeneidade para alguns desfechos limita a interpretação dos resultados. Além disso, por se tratar de uma revisão guarda-chuva, a qualidade das revisões primárias incluídas pode influenciar as estimativas. O resumo não detalha análises de subgrupo ou possíveis vieses de publicação.
Aplicação no consultório
Os achados podem auxiliar o médico na discussão sobre terapias adjuvantes em pacientes com COVID-19, especialmente aqueles com maior risco de ventilação invasiva ou mortalidade. No entanto, a certeza limitada da evidência não permite recomendação rotineira fora de protocolos de pesquisa. Para a gestão do consultório, é importante considerar a disponibilidade, os custos e a necessidade de infraestrutura especializada para terapias celulares, além de priorizar a medicina baseada em evidências e o envolvimento em ensaios clínicos quando possível.
Estudo citado
Stem cell therapy for COVID-19 treatment: an umbrella review. International journal of surgery (London, England), 2024.
Autores: Tang C, Dziedzic A, Khatib MN, Alhumaid S, Thangavelu L, Parameswari RP, Satapathy P, Zahiruddin QS, Rustagi S, Alanazi MA, Al-Thaqafy MS, Hazazi A, Alotaibi J, Al Faraj NJ, Al-Zaki NA, Al Marshood MJ, Al Saffar TY, Alsultan KA, Al-Ahmed SH, Rabaan AA.
DOI: 10.1097/JS9.0000000000001786 · PubMed: PMID 38967503
Perguntas para aprofundar
- Quais são os critérios de inclusão e exclusão para o uso de células-tronco em pacientes com COVID-19?
- Como a terapia com células-tronco se compara a outras terapias imunomoduladoras na COVID-19?
- Quais são os efeitos adversos mais comuns associados à terapia com células-tronco em curto e longo prazo?
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